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1K Miles of Hope | Ep. 02: Segundo Dia

29 de junho de 2026

Decido correr 1.000 milhas em 100 dias contra o câncer.

Acordo com o corpo completamente travado. Joelhos doendo, tornozelo inchado, canelas queimando, pés que não querem sair da cama. Tomo anti-inflamatório para aliviar a dor e a inflamação, coloco gelo várias vezes ao longo do dia e passo cânfora, mentol e salicilato de metila. A única coisa que antecipei foi a assadura — uso vaselina para isso.

No final da tarde me sinto melhor. Não bem, mas melhor. Não quero esperar até amanhã, então vou ao mesmo parque de ontem.

Hoje é especial: meu pai decide vir comigo.

Começamos a correr juntos. Chegamos até os 3km antes de a dor — ainda não completamente tratada — começar a me pegar. Diminuo o ritmo. Meu pai me olha e diz: você não está correndo uma prova de 10 metros. São quase 40 maratonas no total. 1.700km dividido por 42km — uma maratona completa — dá pouco mais de 40. Aquilo faz sentido. Não preciso me machucar mais no segundo dia. Preciso ainda estar correndo no centésimo. Recuo no ritmo.

Meu condicionamento já está melhorando, consigo sentir. Mas preciso tomar cuidado com as lesões.

Fazemos 10km entre corrida e caminhada. Então, a certa altura, um prédio do outro lado do parque pega fogo. A rua enche de viaturas de bombeiro, gente em todo lugar. O vigia do parque vem nos avisar que vão fechar em cinco minutos. Decidimos sair juntos e voltar caminhando para a casa do meu pai.

Lá, meu pai e eu decidimos terminar os 7km restantes correndo ao redor da quadra perto da casa dele. Essa não é uma decisão inteligente.

A quadra é muito menor que o parque. Cada curva me obriga a pisar no calcanhar, e como fico dando voltas no mesmo sentido, sobrecarrego sempre o mesmo calcanhar. Nos últimos 3km mal consigo colocar o pé no chão. Continuo assim mesmo. Não vou parar — não aqui, não com meu pai correndo ao meu lado. Ele é minha maior inspiração neste projeto.

Em 2016 e 2017, fui com ele ao hospital e vi a palavra câncer no prontuário médico. Gelei. Eu já sabia o que essa palavra podia fazer — presenciei ela levar quatro tios embora. Mas dessa vez era o meu pai. Meu herói. Com o tempo fui entendendo que câncer não é uma coisa só: há muitos tipos, muitos graus de letalidade. Meu pai logo ficou bom. Precisou apenas retirar algumas carninhas do rosto, como ele mesmo diz. Logo se recuperou.

Mas você não esquece de ver essa palavra ao lado do nome de alguém.

No último quilômetro, tiro o tênis de corrida. Termino sem ele.

Saio da quadra mancando. Chego na casa dos meus pais, tomo remédio, passo mentol e cânfora, e fico com gelo por um tempo que parece muito longo.

Resultado: 3h04 entre corrida e caminhada. Seis minutos mais rápido que ontem. Consegui correr hoje — não rápido, não longe, mas corri. Mais um dia concluído.


Doe — Apoie a Pesquisa contra o Câncer →

Estou aqui para arrecadar fundos para a pesquisa contra o câncer.

Antes eu ouvia muito que bastava se prevenir — mas depois descobri que não basta. Há muito mais variáveis do que podemos imaginar. O melhor caminho é a cura. Faça a sua doação. Vamos participar disso juntos.

1K Miles of Hope | Ep. 02: Segundo Dia — Haniel Rolemberg — Haniel Rolemberg