1K Miles of Hope | Ep. 01: Primeiro Dia
28 de junho de 2026
Decido correr 1.000 milhas em 100 dias contra o câncer.
No dia do meu aniversário, 17 de fevereiro deste ano, recebo uma ligação dos meus pais. Dá pra ver que estão animados, mas olhando para os rostos deles, algo não está certo. Minha mãe abre a boca e diz: seu primo morreu. Aquilo me pega de um jeito que eu não esperava — mesmo nunca tendo o conhecido pessoalmente. Poderia ter acontecido comigo, e esse plano de correr 1.000 milhas teria sido interrompido abruptamente. Doença não espera. Ela acaba com os nossos sonhos, desejos, planos futuros, e traz o luto para todos ao redor. Eu sabia por alto que ele havia sido diagnosticado com câncer de próstata, mas nunca imaginei que ele fosse morrer — ele tinha apenas 26 anos. E eu estava completando 27 naquele mesmo dia. É por isso que estou aqui. Por mais pessoas como o meu primo.
Quase não consigo dormir. Ansioso demais para as horas passarem. Vou ao parque mais próximo e ativo o GPS do meu relógio. Os primeiros 2km vão bem — até que não vão mais. Meu condicionamento está ruim. O coração parece que vai sair pela boca. As canelas queimam. Os joelhos não aguentam. Faço uma pausa de 7 minutos para ver se o meu corpo se recupera.
Ali parado, penso: como alguém tem a incrível ideia de correr 17km por dia durante 100 dias sem nenhuma preparação física antes? Eu. Nem me lembro a última vez que corri — ou até mesmo caminhei, para ser honesto.
Após a pausa, decido continuar, nem que seja caminhando. Se não aguentar, me arrasto. Paro algumas vezes pelo caminho, vendo os velhinhos passarem de mim como foguetes. Assim chego aos 15km. Saio do parque e caminho até em casa, o que soma mais 2km — totalizando os 17. Caminhando.
Sinto vergonha por isso. Eu me comprometi a correr. Mas sei que tem algo maior aqui, e vou melhorar nos próximos dias. Meu corpo vai se adaptar. Tenho certeza.
Resultado: 3h10 caminhando. Mais um dia concluído.
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Estou aqui para arrecadar fundos para a pesquisa contra o câncer.
Antes eu ouvia muito que bastava se prevenir — mas depois descobri que não basta. Há muito mais variáveis do que podemos imaginar. Meu primo era jovem e saudável, ainda assim teve câncer de próstata e morreu em pouco tempo. O melhor caminho é a cura. Faça a sua doação. Vamos participar disso juntos.